Previsão para início da construção era dezembro último
Com atraso, a Eletronuclear espera iniciar em fevereiro as obras de construção da usina nuclear Angra 3. A estatal previa começar a levantar a usina em dezembro, mas a falta de licença da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) impede que isso aconteça.
O assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam Guimarães, disse na segunda-feira (18/1) que trabalha com a expectativa de a licença ser liberada no mês que vem. Todas as demais licenças já foram concedidas, e as obras de preparação já foram iniciadas, graças a uma licença especial da Cnen, que é contestada na Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) de Angra dos Reis.
"Precisamos de autorização para iniciar a concretagem. Trabalhávamos com o início da operação para maio de 2015, com as obras começando em dezembro. Houve esse atraso, que vamos tentar corrigir no decorrer da construção", afirmou Guimarães, durante o Seminário Nacional de Energia Nuclear", no Rio. Já foram obtidos R$ 380 milhões para o início das obras, junto a bancos privados. Pedido de financiamento para a maior parte dos R$ 8,3 bilhões orçados para o projeto já foi encaminhado ao BNDES.
A Eletronuclear entrega ao Ministério de Minas e Energia, dentro de duas semanas, os estudos iniciais relativos a possíveis áreas, no Nordeste, que poderão abrigar novas usinas nucleares. Foram mapeados locais na Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Segundo Guimarães, será escolhido um local entre esses Estados, onde seria implementada uma central com capacidade para receber até seis usinas. "Não faz sentido construir uma usina em cada Estado."
A expectativa é que a escolha seja feita ainda este ano, apesar de Guimarães admitir que a escolha será "carregada politicamente", em referência a disputas entre os Estados para abrigar a central. O mesmo estudo será feito no Sudeste, onde projeta-se outra central de porte semelhante.
(Valor Econômico, 19/1)